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Especialista em filosofia avalia o cenário político brasileiro

Giuliano Vilela Pires discute temas como corrupção e o primeiro voto

23/04/2008 19:26:09

Foto: Divulgação

Tiago Vilela - 6º período

 

 

 

Em ano eleitoral, a discussão sobre temas políticos fica mais acirrada. O contexto do cenário político atual, o jovem que irá às urnas pela primeira vez e a corrupção são alguns dos temas abordados nesta entrevista pelo filósofo Giuliano Vilela Pires, 24 anos. Especialista em Filosofia Política pela Universidade Católica de Goiás, ele analisa vários temas relacionados à política brasileira e dá algumas sugestões para os jovens.

 

 

Agência de Notícias - Como você analisa o cenário político no Brasil atualmente?

Giuliano Vilela Pires - Sem desejar ser muito pessimista a respeito da política brasileira, penso que o cenário atual se revela tão violento quanto a Ditadura, e talvez até mais cruel do que a mesma. Na Ditadura, o povo brasileiro foi tolhido em quase todos os seus direitos e investido de muitos e pesados deveres. O que era feito de maneira clara, todos viam e sentiam na carne. O povo sabia de onde vinha a mão que o esbofeteava.

 

 

Hoje, o cidadão brasileiro continua sendo tolhido em seus direitos. Não se pode mais andar pelas ruas livremente porque até mesmo aqueles que deveriam nos defender se tornaram criminosos. Faltam hospitais, médicos e salários decentes. Os centros de ensinos se vêem obrigados a não mais formar um cidadão consciente de sua história, mas tirá-los do “analfabetismo” da letra. O que nas circunstâncias atuais continua sendo um analfabetismo.

 

E enquanto tudo isso acontece, o que vemos é um aumento cada vez maior dos impostos e tributos.Para onde vai todo esse dinheiro? Para os bolsos, contas, cuecas de tantos políticos que insistem em continuar se apropriando do que é de povo. Assim, posso afirmar que não estamos vivendo em uma República (Res = coisa – Pública = de todos), mas em um latifúndio político, onde quase tudo é de poucos.

 

 

No entanto, percebo que esse mesmo cenário é, assim como foi nas “diretas já!”, o cenário ideal para que se busque a vitória da democracia; um cenário onde o que precisamos é de uma mudança verdadeira e radical, embora no Brasil não se tenha representantes políticos que possam fazê-lo. Enfim, estamos querendo definir um esboço de um quadro, mas talvez as idéias ainda não conseguiram sair de nossas cabeças e atingir as nossas mãos.

 

 

Esses casos de corrupção pesam de que forma nas urnas?

Eu gostaria que de alguma forma pesassem, mas o povo brasileiro ainda é um povo de pouca consciência política e no momento em que vão exercer a sua cidadania se esquece da realidade sofrida em que vivemos e entram no circo, onde o que vale é o pão e a diversão, mesmo que seja de forma rápida e instantânea e tenha que se voltar à realidade cinco minutos depois.  

 

 

O idealismo no Brasil acabou?

Não. Mas a grande questão não é o idealismo, e sim o que se faz para se mudar realidades. De modo algum quero afirmar que as “grandes idéias” não resolvem nada e tão pouco deveriam existir. Mas o que precisamos hoje é de um povo com consciência política que pense por si só, que seja capaz de refletir sobre a realidade que o cerca.

 

 

Como você analisa a juventude brasileira, comparando com a da época da Ditadura Militar?

Difícil. A juventude talvez não tenha noção do poder que possui, e embora sejam filhos daqueles que lutaram na Ditadura, eles preferem se esconder do que lutar. Talvez isso seja reflexo da maneira como foram criados, longe de toda dor que seus pais foram submetidos, protegidos e amparados pelos próprios pais. A juventude atual encontra-se em um sono profundo, embalados pelo grande amor paternal. Eles precisam acordar, e espero que isso aconteça o mais rápido possível.

 

 

Falta uma cobrança da população com os nossos representantes?

Com certeza, sim! E não só cobrança, mas também uma fiscalização. O povo tem que interagir no cenário político, observando se eles estão cumprindo com que prometeram durante as campanhas. As cobranças deveriam ser feitas de maneira constante, em suas assessorias no congresso, nas prefeituras etc. E se não forem atendidos mostrem suas cobranças nas urnas. 

 

 

Para jovens que vão votar pela primeira vez, o que se deve analisar em um candidato?

A honestidade não é um pré-requisito para um político, mas parte essencial. Todos aqueles que se candidatam não deveriam se orgulhar de ser honestos, isso não é uma qualidade de devam ter orgulho. Oras, todo político e todo mundo deve ser honesto, consigo mesmo e com o próximo. O que deve ser analisado é sua transparência, coerência, sua história política (muitos se esquecem dos escândalos anteriores), seu conhecimento na área em que se deseja atuar seja no executivo ou legislativo. É difícil citar como deve ser um bom candidato, mas se nos inteirarmos do que vem a ser a política brasileira, com certeza teremos mais cautela na hora de digitar o número de nosso candidato. Importante lembrar que o voto não tem preço, portanto, se alguém quiser comprá-lo, já é razão suficiente para não elegê-lo. 

 

 

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